Partindo do lema “Férias sem rural não é férias” que adoto desde minha primeira rural, nessas últimas férias de julho fui com as meninas do Alfa para Ibiúna. A começar pelos preparativos pré-rural: ajeitar as falas do teatro, convidar as amigas, reuniões, pedir doações, estudar, estudar e estudar, afinal o estudo também foi um grande motivador do trabalho voluntario (uma hora de estudo no Alfa significava 250g de alimento a doar). Só aí meu coração já começou a transbordar de felicidade em saber que estava ajudando em algo bom.
Saímos de São José no dia 23, uma sexta-feira, num micro-ônibus e mais uma caminhonete que carregava nossas malas. Chegamos e a recepção foi das melhores, a janta já pronta e os quartos da casa que ficamos já com nossos nomes neles.
Dia 24 começou o trabalho de verdade, logo depois do almoço fomos a escola do projeto e num instante transformamos as salas em um grande bazar com todas as doações de roupas e utensílios que havíamos arrecadado. Em geral, chegavam mães das famílias da comunidade e compravam sacolas de coisas para sua família com no máximo 10 reais. Impressionou-me muito o quanto agradeciam e mais ainda os sorrisos das crianças com os braços cheios de brinquedos.
Com o dinheiro do bazar e as doações que arrecadamos no semestre, montamos cestas de comidas para as famílias com arroz, feijão, macarrão e óleo. Assim, na segunda e na terça, as donas de casa da comunidade nos encontraram na escola e de duas em duas voluntárias, as acompanhamos até suas casas com as cestas. Lá conversamos, tentando dar o máximo de atenção e consolo para elas. Ouvi e presenciei das mais diversas histórias, chocantes, realmente. Acho que às vezes nos esquecemos do quão boas são as coisas que temos, e quando vemos alguém pior que nós, damos o real valor pra tudo que temos. Se o pouco tempo que gastei com aquelas famílias as ajudou, isso não tenho certeza, mas que elas me ajudaram, não me restam dúvidas.
E por fim, quarta e quinta-feira demos um dia diferente para as crianças da escola. Montamos salas-ambiente com o foco para higiene básica, primeiros-socorros e nutrição. Fizemos jogos, teatros, escovação, dinâmicas e no final ganharam alguns kits com sabonete, escova de dente, pasta, shampoo, etc. A alegria deles era evidente, até ouvi uma criança dizendo para o amiguinho: “Eba, agora já tenho o banheiro completo: pasta, escova, sabonete...!” e a noite foi, entre outras, a história mais comentada entre as voluntárias.
Devo dizer que a semana foi renovadora para mim e acredito que para todas as voluntárias. Não posso deixar de agradecer a cada um; às meninas pelo ambiente que criamos e por se tornarem amigas, às “voluntárias das voluntárias”, por terem feito essa rural possível com a casa e comida deliciosas, à prefeitura, por toda a disponibilidade que nos deram e principalmente àquelas famílias que me transformaram em alguém melhor.
Catarina Pröglhöf estudante de Matemática da Unifesp